(…) Estava ficando tarde e Julieta tinha que sair agora de lá. Harry se mantinha tão concentrado agora no seu saque que se ela fosse cuidadosa, conseguiria sair de fininho… Foi descendo os degraus pelo lado mais escuro das arquibancadas, e realmente pensou que conseguiria sair sem ser vista, mas ela era Julieta Harvard, a desastrada que esbarrava em paredes invisíveis.
É sério? Porque isso, logo agora? Era normal ela cair, tropeçar ou se machucar, mas logo NAQUELE MOMENTO? Quando ela não podia ser vista por Harry? O que ele iria pensar? “Julieta Harvard estava me espionando, uh”.
No último degrau, ela teve a capacidade de tropeçar no próprio pé e cair de frente no chão.
- Inferno! - Gritou, fazendo eco na quadra. Não tinha mais esperanças que Harry não a visse, por isso exclamou sua raiva.
- Julieta? - Harry perguntou, correndo do meio da quadra, confuso. Detalhe super importante: agora ele estava sem camisa.
Enquanto Julieta andava feito gata nas arquibancadas, Harry deve ter tirado a camisa que usava, por causa do calor infernal que ficou dentro da quadra. Claro, estava calor, mas ele precisava MESMO ter tirado a camisa? Sei lá, que ficasse na frente de um ventilador.
Quando Harry chegou mais perto, oferendo a mão para Julieta, a própria teve que prender a respiração, não porque Harry estava mal cheiroso, mas porque ele estava… perto demais. Tinha que realmente se segurar para não ter um colapso nervoso.
- Você está bem? - Sempre com sua expressão preocupada (acredite, ele já tinha presenciado mil quedas e acidentes de Julieta; tinha aparecido do nada), Harry indagou enquanto Julieta desamassava a roupa. Graças a deus que estava de short.
- Ah, eu estou bem, tirando o fato que sou uma burra e tenho a capacidade de tropeçar no meu próprio pé. - Deu de ombros e Harry riu. (…)
— Extra, Harvitto

Extra - Diário da Julieta.

Ser namorada de Harry D’vitto não estava entre os meus “sonhos de consumo”. Ou, ser namorada de Harry D’vitto não era minha cisma. De qualquer forma, ser namorada de Harry não estava ao meu alcance. Bom, pelo menos até o baile, com o beijo e tudo mais…

Desculpe diário, nem te comprimentei. Enfim, oi, tudo bem? 

Me desculpe novamente, ando não escrevendo muito em você, eu sei. Eu andava tão ocupada! Com o baile, meus livros… Eu esqueci totalmente de você, desculpa.

Peço outro perdão por jogar uma tonelada de coisas sobre Harry em você. Bom, eu vou fazer o mesmo agora… Ah, ele é o ASSUNTO de agora! 

Continuando… ser namorada de Harry não era minha prioridade. Eu não era do fã-clube (E NUNCA IREI DE SER, PARA DEIXAR TOTALMENTE CLARO! IMAGINE EU, CORRENDO ATRÁS DE UM GAROTO, JAMAIS). Bom, mesmo nem querendo, eu virei.

Eu não PLANEJAVA ser namorada da Harry. Nem PLANEJAVA namorar ele. Pra falar a verdade, eu nunca me IMAGINEI sendo namorada de Harry, motivos óbvios.

1) Ele era o garoto mais cobiçado da Academia inteira. 

2) Ele tinha um fã-clube - assim, não propriamente dito, mas era quase. 

3) Ele era o garoto mais cobiçado da Academia inteira. 

Isso resumia toda a minha recusa a Harry D’vitto, ponto. 

Mas isso mudou, de uma hora pra outra, quando ele se mostrou nada mais nada menos como UM GAROTO LEGAL. Sério, ele era legal. Ele É legal. 

Não era galinha, não ligava para as garotas… 

Tá diário, eu sei que você quer que eu chegue a parte do beijo… 

Enfim, nós dois fomos escolhidos para organizar o baile, eu conheci Harry melhor (mesmo que já tivesse apenas tido “impressões” boas de Harry) e pronto, tive certeza que gostava dele.

Bom, digo que tive certeza porque eu já desconfiava que gostava dele. Por causa do meu suposto ciúme, meu suporto ódio pelas garotas que o perseguia. SUPOSTAMENTE, eu gostava dele. 

No baile tive certeza, depois que ele chorou na minha frente. Lauren me deu um baita esporro, falando o quanto eu fui idiota com ele, e bom, teve toda uma enrolação - eu não quero explicar isso, eu até chorei e é horrivel lembrar que chorei, já disse que odeio chorar? enfim - e nós “finalmente” demos um beijo, como Lauren disse. 

Ela sempre falava pra mim que era óbvio que Harry gostava de mim, e eu achava totalmente impossivel, claro. Imagine, eu com Harry D’vitto, o garoto dono dos olhos azuis mais lindos do mundo e cabelo descabelado e irritante… Alguns suspiros da minha parte, desculpe. 

Nós começamos a namorar, enfim. Enfim, enfim… eu me sinto tão BEM! Harry é incrivel, um namorado perfeito. É tão carinhoso, atencioso e INTELIGENTE. Não poderia ter recebido graça melhor.

Mas, com todo namorado perfeito, vem algo ruim.

No meu caso não é um defeito tipo “eu sempre tiro meleca e depois meto ela na boca” ou “eu gosto de cheirar meus dedos dos pés”, mas sim um bando de garota com raiva de você, querendo que seus cabelos caiam, que você quebre o braço ou empute ele, tudo para que Harry fique “livre leve solto na pista”. 

De qualquer forma, Eu sei que ele nao daria bola… porque…a… porque ele me ama. E eu amo ele. Sério, eu amo. Eu não sabia que ia sentir isso. Realmente acreditei que esse tipo de coisa, de “borboletas no estomago”, só aconteciam nas toneladas e mais toneladas de livros de romance que eu ja li.

Mas, ACONTECE. De verdade, e eu sinto isso por ele. 

Eu brigaria, xingaria, faria de tudo por ele. Bom, menos cortar meus preciosos cabelos, eu me sinto nua sem eles. 

Eu acho que ele sente o mesmo por mim. Pra falar a verdade tenho certeza, porque… eu não sei. Não sei, nao sei. 

Não quero me prolongar, nem ficar horas dizendo o quanto é bom ter um namorado e tudo mais. Séria chato… muito chato. 

Só queria falar pra alguém o quanto me sinto em relação a Harry. E pensar que eu sentia recusa por ele! Hoje é impossivel ficar um dia sem falar com ele - não é algo dificil, a gente faz aulas juntos (risos).

Desculpe diário, vou te trocar por um livro agora. 

Eu nunca imaginei que me apaixonaria por uma garota da Academia.
Nunca imaginei que me encantaria por uma garota tão… diferente.
Nunca imaginei que a seguiria por todos os cantos, de um jeito psicotico.
Nunca imaginei quue convidaria uma garota da Academia para o baile, ou até que iria organizar esses bailes inutéis para ficar perto dela.
E, para completar, nunca imaginei que choraria por uma garota.
Garota tão doce e indiferente, tão delicada e tão rude.
Garota que me ignora na maior parte do tempo, mas que me dava certa esperança quando abria um meio sorriso pra mim.
Garota que mudou minhas expectativas sobre garotas, que me fez perceber o quanto estava errado em alguns sentidos.
Essa garota se chama Julieta. Não a de Shakespeare. A minha Julieta Harvard.
— Harry D’Vitto. 

Explicação do Extra: Diário de Julieta.

Enfim, como vocês devem ter percebido, é a Julieta narrando/escrevendo. É bem confuso, realmente, porque é feito como um diário, e todo diário é contraditório e sem sentido. É claro que alguma leitora já teve um diário e pode confirmar. Em todo caso, eu escrevi isso em base de um capítulo PERFEITO que a Ally escreveu - e não vai postar porque ela é cruel, eu acho - e, como eu achei ele muito t0p, resolvi escrever algo que entrasse no contexto do capítulo. 

Vocês só vão poder imaginar o que aconteceu no capítulo, eu não fiz a Julieta “entregar” tudo. 

Extra - Diário da Julieta; Parte do capítulo 4.

Querido diário… ah, odeio isso, é tão clichê. Oi diário. Teve um bom dia embaixo do meu travesseiro? Bom, é claro que esteve, quentinho e aconchegante… bem diferente de mim. 

Pra começar, meu dia foi terrivelmente trágico por causa daquela vaca copiona metida a perfeitinha da Helen. É sério, como ela ousa ser tão… tão… vaca? Isso é pouco. E tudo por causa de um garoto. Sério? Quem ela acha que é? Eu estou emitindo ruídos de raiva diário. 

Eu não sei porque ela tem essa cisma comigo. Deve ser um amor secreto ou algo do tipo, porque olha… Ela imita meu jeito de vestir  - AH IMITA!!!! - e imitou as mechas no cabelo. E, é claro, ficou ridiculo no cabelo escorrido e loiro oxigenado dela. Além de ser azul, cor que fica terrivelmente horrivel em garotas com a pele dela. Helen tem raiva de mim porque eu não corro atrás dela como uma cachorrinha que nem aquelas “amigas” dela. E também por causa daquele garoto… 

Harry. É, esse é o nome dele. Se eu não me engano o sobrenome dele é D’vitto. Ok, quem eu quero enganar. É CLARO que eu sei o nome dele. Eu não ia me esquecer tão fácil. 

Lauren disse que eu tenho uma queda por ele - na verdade, ela disse abismo - mas eu não concordo. Os olhos deles são lindos, o cabelo dele é extremamente bagunçado e irritante. E eu ODEIO isso. Se eu pudesse, pegaria uma escova e penteava. Sério, que tipo de pessoa não conhece uma escova? Harry provavelmente não. Ele é alto e bonitinho… tá, ele é lindo. Droga! Tá, mas é verdade, eu não posso esconder isso de você diário.

O maior problema que ele tem é o seu fã-clube de cachorrinhas adestradas - do qual a cachorrinha Helen é a lider. Essas garotas não tem o mínimo de amor próprio? É sério. E o pior de tudo e ele ignorar totalmente elas. ESSE GAROTO NÃO TEM NEM UM POUCO DE CONSIDERAÇÃO? De qualquer forma ele é educado. Mas não dá nenhuma chance. Tá, eu também não fico observando. É impossivel não ficar olhando aquele bando de garotas em volta de um garoto elogiando sua roupa e cabelo. Não posso dizer que não gosto do fato dele ignorar as garotas totalmente. Eu a-d-o-r-o. MAS NÃO PORQUE GOSTO DELE. Não, eu acho ele bonitinho. O.k., imaginei Lauren me olhando com cara feia. Eu acho ele lindo. 

Voltando a rainha das cachorrinhas adestradas, ela ousou fazer todos rirem da minha cara. Ok, eu fiquei mal. Mas sério, geralmente eu nem ligo, mas… eu fiquei mal dessa vez. Eu NUNCA fico. Eu odeio ligar pra o que essa gente idiota da Academia pensa de mim. Todos idiotas. Talvez não… ah! São todos idiotas e pronto. Enfim, o amor da vida da Helen, Harry, me defendeu e tudo mais.

Primeiramente, eu não pedi pra ele me defender. E meu dia teria sido menos desastroso se o “deus grego” da Academia não tivesse o feito. Mas ele fez… e eu realmente não sei porque. Ele também me deixou extremamente confusa. Não confusa tipo, que eu me sinto uma idiota retardada perto de dele (mesmo que eu tenho feito isso em aula, Julieta Harvard, a garota de boca grande), mas pelo que ele falou. O que ele quiz dizer? Ele não poderia saber nada de mim… 

Bom, tem vezes que parece que ele está em toda parte. Parece que ele me segue… é claro que é imaginação minha. O que ele estaria fazendo me seguindo? Meu deus, será que ele pensa que EU sigo ELE? Não, eu não sou do fã-clube. E NUNCA, NUNCA MESMO, VOU ME ASSOCIAR.

Fred, o amor da vida da Isabelle (ela me mataria se lesse isso), também me disse algo. Ele é um total idiota, sério, aqueles patifes da pior laia. Convencido e tudo mais - e isso tudo é problema de Isabelle - mas ele disse algo que me fez pensar. 

Harry, o garoto que toda garota da Academia sonha em namorar, gostando de MIM??? A metida com cabelos loucos - mas totalmente copiaveis, de exemplo Helen. Fred só poderia estar brincando comigo, e não seria uma coisa surpreendente. Já disse que ele é um idiota? Poisé. E se não tivesse? Eu não sei porque estou “grilada” - ouvi uma das garotas da Academia dizer isso, enfim - com isso. Eu não gosto do Harry, sério. Ele pode ter olhos lindos e ter toda aquela pose de… e diário, pode ter certeza que eu NÃO dei um suspiro. Harry poderia até ser um “deus”, mas eu nunca, nunca, nunca, nunca, nunca poderia gostar dele. Imagine, eu, com ele? Desastre. E está fora das possibilidades ele gostar de mim? E se estiver? Ah, ele desiste rápido. Tenho mais defeitos que posso contar nos dedos. O perfeitinho não ia continuar a ter uma “paixãozinha” por mim depois de conhece-los.  

Eu não acredito que estou planejando um relacionamento com Harry D’vitto. Eu não posso ficar pensando tudo isso, só tendo em base o que um retardado com ego hiper inflado disse pra mim. Eu não posso ficar pensando em relacionamentos quando não tenho certeza de nada. Mesmo que todo mundo brinque comigo… ele não pode gostar de mim. Mesmo que o papa dissesse: “Harry gosta de você querida”, eu não acreditaria. Eu já disse que ele tem um grupo de perfeitinhas igual a ele lambendo o chão que Harry pisa? É claro que disse. Porque ele ia gostar logo de mim, que DEFINITIVAMENTE não faço isso - e odeio as meninas que fazem isso, álias, odeio todos - e que o ignoro. 

E ignoro mesmo, não quero MESMO me envolver com ele. Você, diário, deve estar dizendo: “mas você já está envolvida”. EU NÃO ESTOU!!! ou não devo. Não sei. DROGA!! Eu já devo ter gasto mil páginas falando de um garoto que eu supostamente odeio.

Deve ser o sono ou a vontade de mergulhar num livro. Provavelmente a segunda. Ler esvazia minha mente, e é só disso que eu preciso. 

Tchau diário. Espero não sonhar com os olhos azuis inúteis como tem acontecido todo dia. Ai droga. 

Nota do Extra (Harvitto):

Pra constar, escrevi isso porque tava livre e imaginei o Harry narrando e pensando tudo. No texto original (que provavelmente vai pro livro), é a Julieta que pensa e esse tipo de coisa. Sim, parece o pensamento de Harry e esse tipo de coisa, mas eu queria só ele, porque ele criou fãs fíéis (e gente que quer matar ele, enfim). Eu queria que vocês conhecessem mais ele. Não escrevi isso pra vocês odiarem ele, porque ele desprezava mas meninas e etc, mas para ver que a Julieta não é pior ou melhor que o Harry, os dois tem defeitos e são uns fofos juntos (vocês verão). 

Visão de Harry - quando ele conhece Julieta (a malvada, para muitos):

        Realmente aquilo era terrivel. 

Depois daquela viagem tediosa, a volta a Academia fora extremamente cansativa a Harry. 

Primeiro, tinha sido as horas dentro daquele avião. Ele odiava, realmente odiava, ficar preso. E ainda sentado numa cadeira totalmente desconfortavel. 

Depois foi aturar suas ex-colegas - que, para a pura infelicidade de Harry, continuariam suas colegas - perseguindo-o. 

Ele não gostava delas, nem um pouco. Eram garotas irritantes, sem nada na cabeça, a não ser seu cabelo. Harry gostava de garotas com atitude, que eram raras na Academia. 

- Que bom que vamos ser colegas! - Disse uma das colegas de Harry. Pra falar a verdade, ele nem seu nome sabia, e nem queria saber. 

- Você sempre foi bom aluno! - Disse outra, quando Harry passava pelos corredores. Ela era ruiva, alta e de pele clara. Era só disso que ele precisava saber. 

- …e tomara que esse ano as coisas sejam diferentes… - Falou outra, quando Harry entrava no refeitório, afim de comer algo, claro. A garota lançara um olhar travesso para ele, mas que foi ignorado. Harry a dispensou, com uma desculpa (“Ah, tenho que falar com a professora de Geometria sobre a matéria desse ano, quer me acompanhar?”) infalivel. 

- Realmente, eu queria ser invisivel para essas garotas irritantes. - Ele resmungou indo até o bar que se encontrava entre as várias mesas do refeitório. Pegou qualquer coisa para comer e se sentou num banco o mais distante possivel de todos.

Harry não gostava de toda atenção que recebia. Alias, ele não fazia absolutamente nada para ganha-lá. Queria pelo menos ganhar a atenção de uma garota que realmente lhe chamasse atenção, mas nenhuma na Academia o fez sentir algo que não seja maior que… pena. Perdoem-me, fui muito maldosa. Ele somente não sentia nada por elas, fim. 

Comeu o lanche apressadamente, querendo correr para o quarto, aonde ficaria trancado até ter que ir para as aulas no dia seguinte, quando um borburinho veio detrás dele. 

- Aquela metida voltou, argh, que saco! - Uma das garotas da mesa detrás - bem, mas bem de trás, como eu disse, Harry se sentou o mais longe o possivel - falou, com tom irritado. Harry pensou com seus botões o porque de tanta raiva, então foi quando a viu.

A garota que causara maior rebuliço no refeitório - estou sendo boazinha chamando de reboliço, seria mais certo chamar de “planejamento a caça as bruxas” - e também causou algo em Harry. 

Ele não tirava os olhos dela, por motivo quase de hipnose. Não precisou se preocupar se ela estava percebendo a sua atenção, nem sequer tinha notado sua presença. Talvez tinha dado uma olhadela desdenhosa, - e principalmente para seu cabelo bagunçado - mas Harry realmente não saberia confirmar. 

Ela era alta e magra, mas não parecia aquele tipo de garota que liga muito para o peso. Vestia um vestido rosa claro florido de pequenas flores com um tom rosa mais forte e um casaquinho de lã cor de creme preso a cintura por um cinto fino da mesma cor. Calçava uma botinha de cano curto que era uma graça, e andava levemente, como se estivesse flutuando. Estava totalmente linda. Meu Deus, como que Harry sabia disso? Ele nunca deixou só de reparar na cor de cabelo de uma garota… e falando em cor de cabelo…

Além de se vestir muito bem, - como que Harry sabia isso, pergunto-lhe novamente? - a garota tinha o cabelo mais… louco que Harry já viu. Tinha mechas rosas e vermelhas misturadas no cabelo castanho-claro. Algumas mechas vinham da raiz e se misturavam a cascata das pontas. Eram lindos e de longe lhe parecia totalmente macios. Harry imaginou a chance de tocar nos cabelos daquela garota. Droga, ele já estava até delirando. 

- Tomara que ela morra engasgada com alguma daqueles torradas. - Disse amorosamente - entenderam meu sarcasmo? - uma das garotas da mesa a direita de Harry. Essas, graças a Deus, não lhe davam atenção alguma.

A “musa” de Harry (fala sério, minha criatividade está deixando a desejar) estava conversando com a senhora que cuidava do bar.

- Não foi nada, eu que fui burra e esqueci da minha bolsa. - Ela fez menção de sair, e Harry, num impulso, foi até ela. Mário ia salvar sua princesa (preciso tomar remédios).

- Se quizer eu pago pra você. - Disse sem nervosismo na voz - estranhamente - e bloqueando a passagem da garota. Recebeu um olhar levemente irritado, de olhos castanhos incrivelmente brilhantes. 

- É uma grande gentileza… - A garota disse com a voz de quem levou um susto. “Linda voz…”, pensou o delirante Harry. - mas não, obrigada. - Ela completou. 

- Eu insisto. 

- Ah, minha mãe me ensinou a não aceitar coisas de estranhos. - Disse com a voz cada vez mais irritada. Dito isso, ela virou-se, em direção da porta, porém Harry a agarrou pelo braço, um gesto que não faria com ninguém. Não sabia o porque de ter feito isso, mas continuou insistindo em corteja-la (viu? corteja-la, ele não queria sair agarrando ela).

- Então, eu me apresento. Prazer, Harry D’vitto. - A garota, agora totalmente raivosa e tentando não bufar em Harry, livrou-se da mão dele.

- Ah… - começou ela, lançando-lhe um olhar de “nunca mais faça isso”, enquanto Harry pensava em como sua pele era macia. - Prazer, Julieta Harvard. - Automaticamente, veio a mente de Harry a obra literária “Romeu e Julieta” - se me perdoem a intromissão, vocês não acham extremamente injusto o nome do “Romeu” em questão estar em primeiro? Seria muito mais legal “Julieta e Romeu”, sei lá, só acho; enfim, meus comentários a parte…

- Hm… Shakespeare? - Harry lançou um sorriso a sua “musa” (que agora podemos chamar de Julieta Harvard). Ela lhe retribuiu com um olhar “já-ouvi-isso-milhões-de-vezes”.

- É o que sempre dizem e perguntam. - Julieta disse confirmando o olhar e Harry se deteve a ficar sem graça, mas não se manteve assim. “Ela não pode me esnobar assim, não pode”, pensou. 

- Posso ser seu romeu e pagar um pastel? - Falou ele meio que se perceber. Já o resultado daquilo foi fazer Julieta ficar sem graça. E ela não parecia uma garota que fica sem graça por qualquer elogio á toa. De qualquer forma, ela deu de ombros e Harry entendeu o sinal como se pudesse lhe fazer aquele agrado. - Aqui. - Ele disse, lhe entregando o pastel no qual ela estava babando - ele reparou em tudo, vocês viram? Enfim, Julieta, no entanto, parecia desconfiada. 

- O que você quer? Que eu doe sangue pra você ou… sei lá? - Ela disse e Harry não se conteve ao rir. 

- Não, foi uma gentileza… - Ele disse depois do ataque de riso. Os poucos alunos que estavam no refeitório tinham a atenção nos dois, e muitas garotas lançavam olhares de raiva a Julieta. Não que a garota parecesse se importar muito. Na verdade, ela nem parecia ter visto. Julieta estava concentrada em desconfiar de Harry. 

- Obrigada… - murmurou, educamente. Harry lhe lançou um sorriso e percebeu que todos na volta olhavam (e as garotas sibilavam exatamente como as cobras fazem).

- De nada. Quer que eu acompanhe até o dormitório? - Soltou novamente, sem perceber. A face da garota perdeu um pouco da desconfiança - talvez por causa de tanta gentileza - mas ela não era boba. Ok, pelo menos transmitia isso a Harry. 

- Bom, eu quero, é meu segundo ano aqui e eu quase me perdi. - Disse, segurando um meio sorriso. 

- Sério? - Perguntou Harry, que nem no primeiro dia, no primeiro ano tinha se perdido. Bem, tinha várias placas, não tinha como. 

- Sim… - ela empinou o queixo, num jeito gracioso - essa escola é grande certo? E… eu não tenho memória fotografica para certas coisas. - Harry riu para o jeito que ela não aceitava defeitos em si mesma. 

- É, ja entendi. - Ele deu uma nova risada e foi surpreendido por ver a garota apressar-se em direção da porta. Andou rapidamente atrás dela. - Ei, desculpa! - Ela deu de ombros, comendo o pastel. Ela devia ter tido uma viagem ruim como a de Harry, por estar tão faminta. Ele nunca tinha encontrado uma garota com tanto apetite, todas que ele conhecia evitavam comida como… como… o cascão da “Turma da Mônica” evita um banho (desculpe a comparação, eu realmente adoro a “Turma da Mônica”). 

- Não foi nada. - Ela disse completando, depois de mastigar o pedaço que tinha mordido.

- Então… - Harry puxou assunto quando eles estavam no meio do caminho. Julieta estava quieta, e foi mais um detalhe a favor dela. As garotas que “babavam” nele sempre falavam demais - e era muito melhor elas quietas, sério. - É seu primeiro ano? - Falou a primeira coisa que passou na sua cabeça. Ele notou que ela já tinha dito isso antes, e rezou para ela não perceber.  

- Segundo. - Respondeu Julieta rapidamente. - E se eu não me engano disse isso antes. - Disse. Harry queria se esconder num buraco mas se manteu. Mudou se assunto.

- Engraçado nós nunca termos nos cruzado e esse tipo de coisa. - Harry pensou, contigo mesmo, é claro, a Academia é enorme. E se ela tivesse passado mil vezes na sua frente e ele não tivesse resparado? Não, ele repararia, tinha certeza. 

- Mistérios da vida. - Julieta disse e fez Harry soltou um riso. Ela não tinha tentado ser engraçada ou coisa do tipo, e nem fora uma piada realmente muito engraçada… Harry só queria a agradar. - Chegamos ao meu ponto de partida. - Ela falou e parou na frente de uma escadaria. Harry a imitou.

- Nem tinha percebido… - Soltou sem querer. 

- Obrigada por me acompanhar, e não vou doar sangue pra você. - Julieta disse segurando um sorriso, e Harry imaginou como ele seria. Lindo, como ela, provavelmente. 

- Mesmo se eu tiver morrendo? - Ele entrou na bricadeira.

- Nesse caso eu pensaria duas vezes. - Ela finalmente sorriu e Harry constatou o quão lindo era seu sorriso. Sorriu também. Julieta jogou uma bolinha de papel em Harry e o próprio pegou, habilidosamente. Não tinha nenhum número de telefone nem nada, era o papel que ela tinha usado para comer o pastel. Conte essa como uma decepção na lista de Harry, essa era uma das primeiras. Quando o assunto se tratava de Julieta, claro. - Ótimo reflexo Harry. Nós vemos por ai. - Ela disse, deixando o vento levar o seu perfume de flores.